25.5 C
Brasília
segunda-feira, junho 24, 2024

ANUNCIE

A culpa não é da Uber

Vladimir Fernandes Maciel

O perfil do usuário da modalidade “Uber Juntos” aponta para jovens de 20 a 35 anos. Boa parte possui, ou cursa, o ensino superior, trabalha no setor de serviços, ou é composta por profissionais liberais.

Os resultados vêm de um estudo da Quest Inteligência, companhia de inteligência de mercado, em parceria com o GAESI, grupo de tecnologias de automação e gestão de processos da Escola Politécnica da USP.

A análise indica que 62% dos usuários utilizavam transporte coletivo, a maioria ônibus, trem e metrô, sem assinalar outros tipos alternativos de locomoção, com bens próprios ou outros serviços de transporte.

O valor das corridas é pouco maior que uma passagem e meia de ônibus e não são trajetos muito longos. Isso mostra que os usuários deixam de utilizar o ônibus em seu dia a dia, sinalizando que a qualidade do serviço oferecido pelo ônibus é ruim.

Em vez de associações como a NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos) clamarem para que as prefeituras criem dificuldades e impeçam a Uber, por considerar a empresa como um elemento de concorrência desleal, deveriam se atentar aos resultados das pesquisas sobre os ônibus. Se as pessoas trocam de serviço, significa que o serviço está ruim.

Por um preço supercompetitivo, a Uber consegue, na modalidade conjunta, oferecer um transporte com mais segurança e regularidade do que o transporte coletivo. A ideia, olhando tudo isso e os resultados das pesquisas, é identificar o que está errado com os transportes coletivos – regularidade, frequência, segurança, modelos de licitação.

Esse modelo de licitações, em especial, é defasado e não incorpora novas tecnologias e nem melhorias necessárias à atualização do serviço. Não podemos culpar as pessoas, e nem a Uber, dizendo, por exemplo, que “mais carros pioram o trânsito”.

Isso é argumentar contra o objeto errado. As prefeituras devem olhar e se preocupar com o cidadão, não com as empresas de transporte.

Outro aspecto é a vantagem vista no preço. Entre os trajetos da Uber pesquisados pelo estudo, quase metade custou menos do que duas viagens de transporte coletivo em São Paulo – nos valores atuais, R$ 8,60, com valor unitário de R$ 4,30 para metrô, CPTM e ônibus.

Vladimir Fernandes Maciel é professor e economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, especialista em mobilidade e coordenador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica.

Assessoria de Imprensa Universidade Presbiteriana Mackenzie

relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Fique conectado

667FãsCurtir
756SeguidoresSeguir
338SeguidoresSeguir
- Publicidade -spot_img

Últimos artigos